Um coletivo de boas ideias, experiências e insights. Foi este o resultado do primeiro encontro promovido pela Enap com representantes de dez think tanks de diferentes partes do mundo no I Seminário Internacional Future of Think Tanks and Policy Advice, em Brasília (DF), no último dia 30 de janeiro. O evento integra uma iniciativa global que reúne mais de 150 localidades no mundo todo. 

“Os think tanks conseguem cumprir um papel muito importante numa  sociedade cada vez mais complexa de informação: fechar lacunas de conhecimento na sociedade, entre academia e sociedade, entre academia e o governo e até mesmo entre o governo e a sociedade”, explicou Diogo Costa, presidente da Enap, na abertura do seminário. 

“Existe uma alternativa ao modelo top down e os think tanks desempenham um papel fundamental neste terreno”, disse Tom Palmer, diretor da Cato University, vice-presidente Executivo para Programas Internacionais da Atlas Network e keynote speaker do evento. Palmer destacou experiências exitosas em diversos países, que mostram que resultados significativos foram e vêm sendo alcançados em termos de geração de trabalho e renda. 

Confira a apresentação de Tom Palmer na íntegra:

 

Mundo mais ágil e complexo de informações 

Há, no entanto, desafios para que os think tanks mantenham sua relevância no aconselhamento em políticas públicas. A superabundância de informações e a necessidade de ser ágil sem perder a qualidade dos dados são fatores que exigem a adoção de novos princípios, especialmente na geração de pesquisas em políticas públicas. 

Para Diana Coutinho, diretora de Pesquisa e Pós-Graduação da Enap, o futuro de dos think tanks está diretamente relacionado à capacidade de se reinventarem e adaptarem. “É conseguir olhar para onde o futuro está indo e se ajustar a essas mudanças muito rápidas. E isso requer muita inovação dentro dos think tanks e na forma como tem de fazer aconselhamento em políticas públicas”, explica. 

 

Como isso se traduz na Enap

Iniciativas recentes da escola envolvem a profissionalização do processo seletivo para cargos em comissão como um serviço oferecido a demais órgãos de governo. De modo pioneiro no Governo Federal, a Enap desenhou um modelo – amplo, aberto e alinhado às melhores práticas de mercado – para seleção de profissionais para cargos estratégicos. E contabiliza mais de mil candidatos inscritos para os oito processos seletivos lançados em 2019.  

Além disso, a Escola possui um laboratório de inovação em governo – o Gnova –, que reúne projetos, apoia o desenho de políticas públicas e promove o compartilhamento do conhecimento. Em 2019, o Gnova realizou mais de 60 oficinas de planejamento. 

A inovação está presente também na Plataforma Desafios, iniciativa lançada em novembro passado que convida a sociedade a participar da construção de soluções para desafios públicos, como a adoção de um melhor transporte administrativo.

Em relação às aplicações em ciências de dados, o destaque fica por conta do Infogov, plataforma lançada no fim do ano passado que, por meio do uso de big data e machine learning, promove o cruzamento de dados do setor público. O intuito é gerar insights para que o governo seja capaz de avaliar e aprimorar suas políticas públicas. 

 

Confira os principais destaques do I Seminário Internacional Future of Think Tanks and Policy Advice

 

 

  

Keynote speaker: Tom Palmer

As experiências exitosas em diversos países mostram que resultados significativos foram e vêm sendo alcançados em termos de geração de trabalho e renda. “Existe uma alternativa ao modelo top down e os think tanks desempenham um papel fundamental neste terreno”, disse Palmer, keynote speaker do evento. 

 

 

 

Agilidade com qualidade


O impacto da tecnologia foi tema do primeiro painel, que contou com a participação de Augusto Castro (Fundação Alexandre Gusmão), Fernanda De Negri (Ipea), Bárbara Brant (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e moderação de Fábio Zambeli (Jota). 

Defendem que é preciso reforçar a qualidade e o método das análises e estimular a atuação mais colaborativa nas plataformas que são bases comuns das think tanks. 

O desafio é a adoção de novas ferramentas que contribuam para esse processo. Inteligência artificial, big data, conectividade das bases de dados governamentais são as palavras do momento. 

Na avaliação dos expositores, o Brasil possui bons centros de informação e pessoas qualificadas. Mas possui como “dever de casa” promover a interoperabilidade de suas bases de dados e fazer a gestão das informações de forma a promover sempre a transparência à sociedade.  

 

 

 

Inovações que fazem a diferença

Burocracia, legislação e falta de cultura de experimentação. São esses alguns inibidores à inovação – especialmente no setor público – apontados pelos participantes do último painel. Participaram Joe Coon (Niskanen Center), Lycia Lima (Fundação Getúlio Vargas), Diana Coutinho (Enap), Helger Marra (Fundação João Pinheiro), com moderação de Ricardo Gandour, da CBN.

Houve um consenso sobre a necessidade de patrocínio para mudanças e a construção de experiências pequenas como ponto de partida para projetos inovadores. Além disso, entender o fracasso de experiências, não como falha passível de punição, mas como parte do processo da inovação é fundamental. 

O Niskanen Center atua fortemente nos escritórios do Congresso Nacional nos Estados Unidos, com subsídios legislativos via sistemas de pesquisas, integrando grupos politicamente polarizados que possam ter interesses comuns na aprovação de projetos. Produzem pesquisas próprias, identificam e intermediam atores no contexto legislativo e atuam na cobertura de lacunas entre a academia e o mundo político. 

Ainda quanto ao cenário político, a Fundação João Pinheiro trouxe suas experiências com o trabalho junto ao governo mineiro. Houve destaque para a necessidade de manter a racionalidade especialmente em tempos de adensamento do debate social, a fim de manter-se no “jogo”, não se isolar e exercitar a empatia.