"A história contemporânea será contada de duas formas: ACV e DCV (antes e depois do coronavírus)". Essa foi uma das avaliações feitas em conversa exclusiva do presidente do Grupo Empreenda, César Souza, no #FronTend desta quarta-feira (13). Para ele, a pandemia acelerou o futuro e trouxe mudanças profundas, inclusive no perfil dos líderes. E compara os desafios e oportunidades dos gestores públicos aos 12 trabalhos de Hércules, herói da mitologia grega

"Líderes brilhantes em tempos de abundância estão perdidos. Outros conseguem assumir protagonismo no momento de crise. Mas muitos continuam apegados a dogmas já superados, com o coração analógico preso ao passado". Para César, a aceleração do futuro causada pela pandemia tem provocado mudanças nos modelos de negócios, tecnologias, sistemas de valores, hábitos de compra e consumo, geopolítica, relações familiares e sociais.  

Também no perfil dos líderes há transformações intensas. E como conduzir uma empresa ou uma equipe se todos os pilares do passado estão sendo postos abaixo, movimento que já existia antes e só foi acelerado com a chegada da pandemia? César alerta: "Precisamos desmistificar o 'tipo ideal' de liderança. A palavra de ordem é reinvenção", afirmou. 

Nada será como antes

No caso da esfera pública, o autor de diversos best-sellers sobre liderança afirma que é preciso repensar o papel do governo na sociedade, buscar o tamanho certo do Estado e onde sua presença é indispensável. "Vejo hoje novas dores e necessidades". E compara as oportunidades para gestores públicos aos 12 trabalhos de Hércules. 

Alguns deles dizem respeito a buscar sinergia a sociedade civil, o setor privado e o setor público. “Esse é um desafio mundial. Já falei que o DCV (depois do coronavírus) não será igual, como diz a música do Lulu Santos, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Vem pela frente o novo (a)normal”, disse César Souza.

Como “não podemos abrir as portas do futuro com as chaves do passado”, um dos trabalhos seria investir no governo digital e buscar novas formas de interação com a sociedade. E a transformação digital, ação em andamento no governo, é um passo importante para essa gestão integrada com a sociedade. 

“Um novo tipo de entendimento é necessário, no nível macro e nos níveis de execução e operacional. Buscar convergência na reconstrução de propósitos e a harmonia entre Poderes pela qual se possa apoiar as reformas econômicas, políticas e tributárias que o país precisa”, disse Souza.

O líder pós-pandemia

E como ser um líder inspirador na pós-pandemia? “Teremos um modelo híbrido de trabalho no futuro e, como não há soluções prontas, precisamos adotar o critério básico da confiança", acredita. "O líder vai inspirar pelos valores e pelo critério da confiança. Construir senso de propósito com os liderados, de acordo com o senso de maturidade de cada um". Como recomendação, o investimento na equipe e formação de sucessores.

Com relação a si próprio, o líder deve buscar a recapacitação. “Daqui a três ou cinco anos seremos irrelevantes. Não adianta lutarmos contra a tecnologia. Estamos tendo agora a oportunidade de sermos coautores de um novo capítulo e podemos colocar nossas digitais na história do nosso país e da humanidade", delcarou. "Haverá vida no pós-covid”, finalizou o palestrante.

O que vem por aí

O #FronTend live traz, toda quarta-feira, especialistas brasileiros e internacionais para conversas exclusivas para altas lideranças sobre temas de relevância para o setor público. Em maio, as edições serão focadas nos desafios estabelecidos com a Covid-19.

Na próxima quarta-feira (20/5), o palestrante será Glen Weyl, economista e pesquisador principal da Microsoft Research New England e autor do livro "Mercados Radicais: desarraigando o capitalismo e a democracia para uma sociedade mais justa", eleito o livro do ano de 2018 pela revista The Economist. Inscrições abertas em https://bit.ly/FronTendEconoPandemia

O Fronteiras e Tendências integra o Programa de Desenvolvimento de Lideranças e Altos Executivos. O objetivo é promover o desenvolvimento contínuo de habilidades e qualificações tidas como essenciais ao exercício de cargos diretivos no núcleo estratégico do Estado e, em particular, na alta administração dos órgãos e entidades que integram o Poder Executivo federal.