Mudança é cultural e deve dar aos estudantes o protagonismo no processo educacional

Em painel realizado na tarde desta terça-feira (09/08), o desafio da “Educação Transformadora” foi tema de debate entre especialistas em educação e tecnologia. 

“Estamos vivendo um abismo digital”, afirmou Débora Garofalo, consultora de educação considerada uma das 10 melhores professoras do mundo pelo Global Teacher Prize, considerado o prêmio Nobel da Educação. Para ela, apenas por meio de políticas públicas que fomentem a inovação, podemos reinventar o processo educacional. 

Ao apresentar o caso de sucesso Robótica com Sucata, Débora defendeu que a tecnologia pode transformar a vida das crianças no ambiente escolar. “Devemos olhar para tecnologia de forma humanizadora e de maneira integral”, apontou. “Ressignificação é chave em nosso processo de educação”, destacou, afirmando ainda que somente dando protagonismo aos estudantes podemos alcançar os resultados desejados. “Educação transformadora não se trata de adaptação de currículo, mas de transformação cultural”, concluiu a professora e mestra em Educação.

Ao refletir sobre o futuro da Educação Infantil, Guilherme Lichand, professor de Economia do Desenvolvimento e Bem-Estar Infantil da Universidade de Zurich e especialista em inovação social, ressaltou os desafios enfrentados para o monitoramento em larga escala do desenvolvimento infantil com qualidade. “Medir o desenvolvimento infantil depende de observação, e o observar é caro, de difícil comparação e de qualidade incerta”, afirmou o especialista. Para ele, é preciso utilizar as tecnologias disponíveis para solucionar essas dificuldades. Por meio de tecnologias Wearable e de sensores, é possível automatizar e personalizar o processo de mensuração, garantindo o monitoramento de medidas objetivas e contribuindo para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e cognitivas.

Fechando o painel, o filósofo e professor Adriano Naves de Brito compartilhou com o público sua experiência na implementação de práticas inovadoras em educação. Ao refletir sobre o sistema brasileiro, Brito defendeu que, para que a inovação chegue à escola, aos professores, aos estudantes e à comunidade, é necessário que esse movimento esteja integrado no processo de gestão da educação e das escolas. “É preciso mudar o funcionamento das engrenagens da educação, precisamos de um sistema de oferta de educação que seja plural”, afirmou. Ao apresentar exemplos de escolas comunitárias, o professor destacou a importância da diversidade de experiências e do engajamento da comunidade e das famílias no processo educacional. “É preciso haver experiências diferentes que possam fazer a escola funcionar colocando o aluno no centro das decisões”, concluiu.

Sobre a Semana de Inovação

A Semana de Inovação tem como objetivo reunir os principais especialistas do setor para promover debates e troca de experiências sobre iniciativas de uso de tecnologias, metodologias e processos para melhorar o serviço público brasileiro. É um evento que tem como realizadores: Escola Nacional de Administração Pública (Enap), Tribunal de Contas da União (TCU), Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e Ministério da Economia. Além da correalização do Ministério da Saúde, do SUS, do Ministério da Educação, da Funasa, do Inep, da Fundação Joaquim Nabuco e da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI).

Em 2022 o evento chega a sua oitava edição. Com o tema “Tempo de criar”, a Semana de Inovação 2022 acontece entre os dias 8 e 10 de agosto em formato híbrido, on-line e presencial em Brasília, no Rio de Janeiro e em Recife. Dataprev, Serpro, Adaps, Sebrae, BID, Cateno, 99, Gringo, Microsoft, Nic.Br, CGI.Br e Zoom já são patrocinadores desta jornada! Além do apoio da República, ABDI, Eldorado, Museu de Arte do Rio, Wylinka, IFood, Catálise, Instituto Unibanco, Lab Griô e Porto Digital.

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