Letícia Piccoloto e Carlos Santiso debateram na Semana de Inovação 2020 os caminhos para o setor público acelerar o seu processo de transformação digital 

Um dos legados da crise da pandemia foi a aceleração de reformas na sociedade e no setor público que vinham sendo adiadas nos últimos anos e décadas. Home office, educação à distância e telemedicina são exemplos do que entrou para o cotidiano da população e foi preciso adotar com a chegada da Covid-19. Essas transformações rumo ao mundo digital devem ser apenas o começo de um processo mais amplo que pode ter uma contribuição maior com os governos digitais e as experiências originadas nas startups. 

Em seu terceiro dia, a Semana de Inovação 2020 reuniu um grupo de especialistas para tratar do tema “O papel da tecnologia em tempos de crise”, principalmente as implicações nos governos. “Não é só mudar serviços, mas se deve repensar a relação dos governos com o cidadão. Antes da pandemia, apenas 5% dos cidadãos usavam canais digitais para lidar com o governo. A partir desse ano, esse número vai aumentar”, disse Carlos Santiso, diretor de governança no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).  

Conhecedor do Brasil, Santiso avalia que o governo deu um salto nos últimos seis meses na oferta de serviços por meio digital. Segundo ele, sua expectativa é que todos os processos do setor público passem a ser online até o ano de 2023. Nessa mudança, diz o executivo do CAF, será necessária uma abordagem nova do governo: ter uma política de dados abertos para aumentar a transparência, usar a inteligência artificial para combater a corrupção, fazer análise de dados e realizar parcerias com as startups.

“O que vemos é a ´reinicialização´ [reset] dos governos por conta da pandemia”, observa Santiso, que elogiou a velocidade dos países como Brasil, Colômbia e Panamá, para se adaptar à nova realidade surgida neste ano. “A Covid foi o teste para a virada digital.”

Aceleração  

E nessa virada digital, um dos mecanismos citados nas palestras de hoje são as parcerias dos governos com as startups que têm a inovação tecnológica em seu DNA. “O governo enfrenta desafios como o estrangulamento de financiamento. Por isso, o caminho é levar as soluções para dentro do governo, a inovação que vem de fora para dentro”, afirmou Letícia Piccoloto, presidente executiva da Fundação Brava e fundadora do BrazilLAB. 

Ela citou dois exemplos de startups que têm produtos e serviços usados em políticas públicas. O primeiro dele é o GESUAS, um software para programas de transferência de renda. Segundo Letícia, 100 municípios utilizam o aplicativo, com 1 milhão de usuários ativos. “É a maneira mais eficiente de levar o programa até a ponta, ao cidadão”, disse. O segundo exemplo é o UniverSaúde, que funciona como um Waze (aplicativo de trânsito) voltado para serviços de telemedicina.  

Segundo a executiva, existe um grupo de 1,5 mil startups brasileiras (de um total de 13 mil) que tem potencial para parcerias ou prestação de serviços a governos. Para o setor deslanchar de vez e ter mais conexão com o setor público, Piccoloto acredita que será fundamental a aprovação do projeto do marco regulatório das startups, em discussão no Congresso Nacional. “O marco legal prevê questões essenciais como as regras para compras públicas junto a essas empresas.”

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