Em sua palestra na Semana de Inovação 2020, a empreendedora queniana falou sobre a importância de parcerias inovadoras entre os setores público e privado

 

Os países precisam de mais estabilidade e menos polarização política para estimular os empreendimentos das pessoas e das empresas. Essa foi a tônica da primeira palestra na manhã desta terça-feira, 17, na Semana de Inovação 2002, proferida pela queniana June Arunga. Ela é fundadora da Usafi Comfort, instituição criada para suprir a escassez de tratamento de águas residuais para milhares de pessoas que vivem fora da infraestrutura municipal de esgotos na África Oriental. 

June iniciou sua fala chamando a atenção para a importância do empreendedorismo e de um posicionamento inovador no setor público. “Eu sou do Quênia e foi nos anos 1990, quando o meu país inovou no setor público, que tivemos êxito e começamos a prosperar”, contou.

Ela citou como exemplo a importância da iniciativa “hands shake”, o aperto de mãos.  Depois de rodadas de eleições, em que os ganhadores levam tudo e os perdedores se sentem rejeitados, os políticos do Quênia resolveram mudar a atitude e deixar de lado a radicalização política. Eles deram o “aperto de mãos”, se reunindo e levando as discussões para o centro. 

“Essa ideia de aproximação para uma estabilidade e uma posição de equilíbrio é uma sugestão que eu estou trazendo para vocês, pois vi que dá certo. Estamos em uma pandemia, não podemos ter instabilidade política. Temos que unir as forças,” defendeu, lembrando que a polarização política prejudica o crescimento econômico.

Outra ideia de inovação sugerida por June é o “construindo pontes”. “Precisamos de estabilidade para crescer. A cada cinco anos temos um clima tenso de eleições no meu país [o Quênia] e tudo fica mais lento e a velocidade dos investimentos diminui. O mesmo aconteceu quando surgiu a Covid. As pessoas não sabiam o que ia acontecer e diminuíram a velocidade nos negócios”, analisou. 

June falou, ainda, sobre a devolução de poder, sobre dividir as ações com as comunidades locais. “Antes disso o sistema de governo era muito mais centralizado. E havia pouca abertura para se pensar em inovação a nível local. Foi através da devolução de poder para as comunidades de base que o setor público empreendeu e inovou”, disse.

June contou sobre o trabalho que executa hoje na abordagem descentralizada no sistema de esgoto de seu país. Em algumas comunidades, as casas e os prédios não estão conectados ao sistema público de esgoto. “Na África, temos grandes problemas em relação a capital para investimentos vindos do governo.  Então, estamos fazendo parcerias com o setor privado. De novo, aqui estamos contando com as ideias inovadoras do setor privado e fazendo alianças com o setor público,” explicou.

Segundo June, sempre que alguém cria valor para a sua comunidade ou país, essa pessoa será reconhecida e as ideias poderão ser replicadas. “Então, acredito que podemos superar essa crise toda através da inovação. Tanto do setor público quando privado. E esse encontro me animou muito pois temos a oportunidade de discutirmos a inovação com essa mentalidade inovadora para ser aplicada no setor público”, concluiu.

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