E o que seria o hoje sem o legado dos cofundadores do iGOVnights?

 1 foto igov nights“O humor é um jogo de ocultamento e revelação da verdade. E, muitas vezes, é a única forma possível de dizer coisas difíceis de serem ditas”. Eis a chamada para o painel que acontece na Semana de Inovação, na noite desta quarta-feira (10), a partir das 18h30, com o objetivo de explorar como o humor pode ser usado para amenizar a burocracia, a partir da chave do design e da arte.

Três servidores públicos contam como surgiu esse movimento em 2017, quando o tema inovação ainda era assunto para poucos, pequenas ilhas do serviço público.

Gustavo Trindade foi um deles. “Acompanhamos o início desse movimento e as primeiras tentativas de trazer a inovação para o setor público, desde as primeiras atividades da Rede InovaGOV, ainda muito voltada para dentro do próprio serviço público, e das primeiras edições da Semana de Inovação. Era como tentar buscar novos adeptos para inovação em governo, um baita desafio!”

Como furar a bolha da burocracia

“Naquela época, havia muito esforço, muita dedicação, mas as iniciativas formais/institucionais não conseguiam furar a bolha da burocracia, não conseguiam sair da arena do próprio setor público, ainda não dialogava com a sociedade e nem conseguia escalar a temática da inovação para os servidores públicos”, relata Gustavo.

Foi nesse contexto que surgiu a ideia do iGOVnights, numa tentativa de "furar a bolha" e promover conexões para além da burocracia e possibilitar que outras pessoas pudessem alcançar a inovação. “Queríamos conectar os inovadores, os primeiros adeptos da inovação em governo, de uma forma aberta e descontraída, menos formal, porque acreditávamos e continuamos acreditando que as pessoas são o ponto-chave para a inovação chegar ao centro das organizações e impactar a vida das pessoas, que, no caso do serviço público, são milhões de brasileiros.

Camila Medeiros, uma das cofundadoras do iGOVnights, que hoje trabalha na coordenação da GNova da Enap,  relembra que o iGOVnights se inspirou no Pint of Science, um movimento internacional que conectava arte e ciência, levando as obras de artistas e cientistas para fora do ambiente das universidades.

Um brinde à inovação

Ciro Avelino, também cofundador do movimento, afirma que ele realmente é um brinde à inovação no serviço público. “A ideia sempre foi criar um espaço descontraído onde pudéssemos trazer à tona nossas inquietudes a respeito do tema e  juntar todos os paladinos da inovação que estavam dispersos em todas as áreas de governo”, esclarece Ciro. Qualquer um puxa "um brinde" e dali em diante a roda de conversa faz brotar muita conexão e troca de experiências. “Nasceu inclusive na época da Semana de Inovação de 2017, para que as pessoas tivessem onde compartilhar toda confusão que fica na cabeça depois de tanto conteúdo bacana que rola em um evento como esse”, declara Ciro Avelino.

O movimento não é só para “gênios” ou “criativos”

“Resolvemos levar o conhecimento da inovação em governo para os bares e restaurantes da cidade, de forma voluntária, aberta e descontraída. Foi assim que surgiu o movimento, iniciado por um grupo de servidores e empregados públicos entusiastas da inovação, do qual eu fazia parte”, diz Gustavo Trindade. Ele relata que naquele ano, o grupo estava decidido a doar seu tempo extra para promover novas conexões entre servidores e desmistificar a inovação de uma forma diferente, a partir das experiências pessoais e do estado da arte da inovação em governo, considerando não apenas o conhecimento técnico e as experiências exitosas, mas também os bastidores e os desafios da inovação no setor público. “Era uma tentativa de trazer a inovação para mais perto das pessoas, uma abordagem mais humanizada da inovação, menos voltada para tecnologia ou para o grupo restrito de "gênios" ou "criativos".

Manifesto com as premissas do movimento

“O primeiro passo foi estabelecer algumas premissas baseadas nos valores éticos, na liberdade de expressão e no compartilhamento de conhecimento” diz Gustavo.  A partir daí nasceu o manifesto, para deixar claro que esse movimento era voluntário, aberto e apartidário, para comunicar quais valores moviam e conectavam os participantes. Trindade lembra que, naquele ano, ainda com a Semana de Inovação no formato presencial, fizeram cópias do manifesto para distribuir durante a 3ª edição do evento, para divulgar o primeiro encontro do iGOVnights. “Não tínhamos ideia se as pessoas iriam realmente se conectar com esse propósito, e foi um grande sucesso”. Ele relata que o tema "viralizou", para usar um termo bem atual, e virou assunto nos bastidores da semana de inovação, entre os organizadores e participantes, que perguntavam o que era esse tal de iGOVnights?! E foi assim que ele foi ganhando forma, até que se tornou o "happy hour" da Semana de Inovação.

“Sentimos que era algo que faltava, conectar as pessoas de forma casual, informal, mas com um propósito. Era como conectar ‘ilhas de inovadores’ e entusiastas da inovação em governo, muitas vezes isolados em suas instituições, um encontro de ‘tribos de inovadores’. O formato descontraído e informal serviu como válvula de escape e catalisador para troca de experiências com outros inovadores, alguns de outras cidades e até pessoas de outros países que vieram especialmente para participar do evento. “Isso foi especial e diferenciado naquele momento, foi mágico”, relata Gustavo. 

Servidores e empregados públicos de qualquer instituição e de qualquer cidade do país podiam organizar iGOVnights, desde que houvesse alinhamento e respeito ao manifesto.  Isto permitiu o engajamento e participação de várias pessoas, independentemente de seu "status profissional", seu título, cargo ou função, o importante eram as pessoas e a troca de conhecimento e de experiências em inovação. Eram encontros livres, criados para confraternizar, conhecer novas pessoas e compartilhar experiências, frustrações e novas ideias.

Além da Semana de Inovação

Gustavo Trindade conta que até 2019 vários encontros foram realizados e sempre de maneira informal, leve e descontraída, associando arte e conhecimento, ressignificando a importância de cada um, como pessoa, como um ator do ecossistema de inovação em governo, mas sem perder de vista a sua individualidade, a sua identidade, o seu valor. Até 2019 foram realizados vários encontros, inclusive em outras cidades do país, sempre com diferentes formatos e temas variados. “Tivemos iGOVnights sobre protagonismo dos inovadores e primeiros adeptos, transformação digital, design thinking, laboratórios de inovação (quando poucos ainda conheciam ou falavam sobre isso), inovação em educação, métodos ágeis e muito mais.

Também foram realizados encontros temáticos, contextualizando com o momento de cada mês, por exemplo, o iGOVnight mulheres, no mês de março, o iGOVnight BigDates, no dia dos namorados, onde teve um encontro muito legal dos primeiros "bots" (robôs) do serviço público. “É difícil escolher, mas um dos melhores encontros foi o iGOVnight conto de falhas, onde falamos sobre os bastidores e casos de fracasso da inovação, foi uma experiência incrível e inusitada para o ambiente inóspito e avesso ao ‘erro’ do setor público”, conta Gustavo Trindade.  

iGOVnights vai muito mais longe

Uma das grandes surpresas foi ver os encontros do iGOVnights citados no Relatório de 2020 sobre Sistema de Inovação do Serviço Público no Brasil, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como estratégia para apoiar a rede de inovadores do serviço público. 

“Desde então vários movimentos e tribos de inovadores surgiram no ecossistema de inovação em governo, com iniciativas em diferentes órgãos e cidades. A Semana de Inovação continua sendo o epicentro desse encontro, onde buscamos oxigênio e fortalecemos a rede de inovadores”.

Trindade destaca que a pandemia de Covid-19 também impactou os encontros do iGOVnights, mas a cada edição,foi possível se apresentar de forma cada vez mais hiperconectada com a sociedade, transpondo a barreira do mundo “real" para o “digital. “ “Hoje a inovação é o novo normal e sinto muito orgulho de ter participado e contribuído de alguma forma com essa história, que está em constante transformação”, finaliza Gustavo Trindade

 

Serviço

iGOVnights 10/11/2021 – 18h30 às 19h

Dark Stories: feedback, complexidade e narrativa, com Gino Tarantim

Resumo: O poder das histórias e narrativas na comunicação é enorme! Nossas experiências, premissas e julgamentos, no entanto, funcionam como filtros para o enredo e podem omitir ou revelar informações importantes! E aí, topa ser desafiado(a) para um enigma? 

19 às 20h30 - Humor, estética e burocracia, com Camila Medeiros, Isabella Brandalise e Lucas Vaqueiro

Link para participar: https://spatial.chat/s/si-2021

 

iGOVnights 11/11/2021 – 19 às 20h30

FailGov - Desburocratizando o erro, com Felipe Maruyama, Luana Faria e Tadeu Barros

Resumo: Nos últimos anos tem emergido um forte fenômeno da inovação em governo, capitaneado por laboratórios de inovação. Acreditamos que temos que dar um passo fundamental neste movimento: não só experimentar e testar, mas também registrar, disseminar e compartilhar os tombos, as quedas e os escorregões que, inevitavelmente e certamente, ocorrem (e ocorrerão) no processo inovativo! Está na hora de desburocratizarmos as falhas e os erros da inovação em governo!

 

Lembrem-se: aberto a todos os interessados. Não necessita de inscrição prévia.

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