Especialistas discutiram a importância e os impactos da inteligência artificial em diversos setores do Brasil e do mundo

 

As mudanças tecnológicas serão cada vez mais rápidas e intensas. E boa parte desse movimento se deve ao conceito de Inteligência Artificial, que já é usada para analisar grandes volumes de dados e, no setor público, vem sendo fundamental para detecção de possíveis irregularidades. Para tratar das transformações nessa área, a Semana de Inovação 2020 reuniu hoje pela manhã quatros especialistas em um debate virtual. Ficou claro que estamos passando de uma época dos tradicionais “bits” para a dos “bits quânticos”. 

“Estamos testemunhando uma evolução no mundo da computação. O modo de processar informações totalmente novas não pode mais ser acessado mais de forma clássica”, disse Darío Gil, diretor do laboratório Diretor do IBM Research, na palestra “Como a inteligência artificial vai mudar o nosso futuro?” nesta quarta-feira (18). “A combinação de todas as tecnologias já está trazendo uma nova onda e vai fazer uma revolução de como as novas tecnologias são praticadas. A inteligência artificial vai mudar a nossa era”, disse.

Segundo Gil, a única tecnologia que muda o que é impossível para o que é possível é a computação quântica. Em sua avaliação, os novos materiais que demorariam anos para serem desenvolvidos vão se tornar viáveis em prazos bem menores e com menores custos, de até 90% mais baixos. “Os QUBits [bits quânticos] são uma nova maneira de processar informações que permitem acelerar descobertas científicas e tecnológicas”, explicou, acrescentando que a Inteligência Artificial é central para essa mudança. 

Rico Malvar, engenheiro representante da Microsoft Research, concorda com Darío Gil e disse que os desafios existentes e a urgência de se usar a Inteligência Artificial são para o momento presente. “Precisamos já treinar e educar pessoas que usarão a inteligência artificial. A capacidade humana da população brasileira é muita alta. Então, você precisa educá-los para absorver a educação da inteligência artificial”, explicou Malvar, que é brasileiro e trabalha na sede da empresa em Seattle, nos Estados Unidos.

Rico Malvar contou que a Microsoft criou um programa chamado “IA for good”, no qual está sendo investido mais de US$ 500 milhões durante um período de cinco anos. “São vários programas: acessibilidade, tecnologia para melhorar o planeta inteiro, ação humanitária, patrimônio cultural e saúde. São muitos projetos e todos trazem uma importante contribuição para a sociedade”, disse. Ele deu o exemplo de um aplicativo que ajuda pessoas com deficiência visual ou auditiva: “O aplicativo fala quem é a pessoa que está na sua frente e o que ela está dizendo”.

IA em governos 

Os benefícios da Inteligência Artificial já são uma realidade para o setor público. Marius Hartmann, representante da Danish Business Authority, fez um relato no painel sobre o trabalho de identificar fraudes nos sistemas dinamarqueses. “Você pode identificar uma fraude em poucos minutos, e o nosso trabalho é fazer cálculos muito rápidos. Temos que ter a capacidade de reagir em tempo hábil e entender o ciclo de vida das empresas e o que está sendo afetado dentro destas empresas. A ideia é conseguir mais informações através dos dados que aparecem para a gente para evitarmos futuras fraudes”, explicou.

Os avanços da tecnologia enchem evidentemente os olhos de empreendedores, cientistas e gestores públicos. Por outro lado, existe uma preocupação se os ganhos com as inovações terão impactos positivos para os diferentes grupos sociais. 

Tecnologia não é neutra

No painel de hoje, essa questão foi levantada por Silvana Bahia, codiretora executiva do Olabi, do Rio de Janeiro. Silvana abordou a falsa sensação de neutralidade das tecnologias, que reproduzem desigualdades e preconceitos da sociedade. No reconhecimento por IA, por exemplo, ela destacou uma pesquisa que aponta que as pessoas negras têm 5% mais chances de serem atropeladas por carros autônomos. 

Silvana fundou um projeto de estímulo às mulheres negras na inovação com o objetivo de trazer outras vozes para o universo da tecnologia. “Eu criei o PretaLab quando comecei a me dar conta que não havia mulheres negras no mercado das tecnologias. Hoje, somente 4% das startups são comandadas por mulheres negras”, disse. 

No Brasil, as mulheres negras representam mais de 28% da população e estão pouco presentes nos espaços de poderes. “Quem produz as tecnologias hoje são, na maioria, homens brancos e ricos. E se outras pessoas também puderem ter a oportunidade de participar das decisões que estão construindo o futuro, haverá mais diversidade. E, com certeza, os resultados serão mais ricos.” 

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