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Projeto une tecnologia e vínculos construídos nos territórios para criar solução de conservação ambiental

Assistente virtual transforma dados da fauna, da flora e de comunidades em conhecimento compartilhado, fortalecendo saberes locais

Publicado em: 02 de Outubro de 2025

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A empreendedora social Kamila Camilo, fundadora do Instituto Oyá, apresentou na tarde desta quinta-feira (02/10), durante o terceiro dia da Semana de Inovação 2025, a assistente virtual Tainá. O modelo alia tecnologia, ciência cidadã e engajamento comunitário na conservação ambiental. A iniciativa busca transformar dados em conhecimento compartilhado, aproximando inovação digital de saberes tradicionais e fortalecendo soluções climáticas conduzidas pelas próprias comunidades locais.

O modelo nasceu a partir do desafio internacional XPRIZE Rainforest, voltado ao mapeamento da biodiversidade das florestas tropicais. Entre 300 equipes inscritas, apenas 20 chegaram à semifinal, e o Instituto Oyá foi convidado a implementar soluções no Brasil, com a participação direta de moradores na coleta e análise de dados. “Sem a participação de quem está no território, qualquer tecnologia de conservação se perde”, afirmou Kamila.

O projeto levou drones, gravadores de bioacústica e oficinas de treinamento em inteligência artificial para comunidades amazônicas, tornando os moradores coautores da coleta e da interpretação de informações. A assistente virtual, que no início se chamava Dora, a Exploradora, foi redesenhada como Tainá, a Guardiã, com ênfase no respeito ao consentimento, no registro colaborativo e na interação comunitária.

Com código aberto, a tecnologia permite que cada comunidade tenha sua própria instância local, com autonomia sobre o uso e o compartilhamento dos dados. Tainá funciona pelo aplicativo Telegram, em diferentes idiomas. Ela transcreve áudios, identifica espécies e chega a atuar como guia turístico, ampliando a segurança e a autonomia de adolescentes indígenas.

Kamila destacou que o êxito do projeto não depende apenas da tecnologia, mas do vínculo construído nos territórios. "Confiança e relacionamento não são escaláveis. O mercado não respeita o tempo das comunidades, mas é fundamental estar presente", disse ela, lembrando que a implementação da Tainá exige recursos, capacitação e acompanhamento contínuo.

Durante o debate, surgiram questões sobre segurança, remuneração e governança dos dados. Kamila explicou que a Tainá opera de forma descentralizada, permitindo que cada comunidade mantenha sua própria instância e decida de forma autônoma o que compartilhar, ressaltando que o projeto prioriza a troca de conhecimento e o fortalecimento comunitário. A experiência mostrou que a Tainá vai além de uma solução tecnológica, sendo um instrumento que conecta ciência e tradição, colocando as comunidades no centro da inovação ambiental e reforçando os debates sobre sustentabilidade que marcam a Semana de Inovação 2025.

Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.

O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.

O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.