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Rede de confiança digital é apresentada como ferramenta para inovação pública

Palestrantes mostraram como a Rede Blockchain Brasil conecta instituições em um sistema descentralizado e seguro

Publicado em: 02 de Outubro de 2025

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A aplicação prática da blockchain no setor público esteve em pauta na Semana de Inovação 2025, da Enap, nesta quinta-feira (02/10), durante a oficina “Desvendando a Rede Blockchain Brasil: como conectar nós e desenvolver contratos inteligentes”. Conduzida por Gladstone Arantes, que atua com o uso de blockchain do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a atividade reuniu demonstrações técnicas e reflexões sobre confiança, transparência e governança como pilares de uma infraestrutura digital pública.

Na abertura, Solange Meiras e Paulo Ferreira, do Plexus Institute, compartilharam experiências sobre o uso da tecnologia em diferentes setores e ressaltaram seu potencial para aproximar instituições públicas e privadas. “O trabalho com blockchain tem várias frentes, inclusive em conexões para o mundo real. O importante é que vocês percebam que já podem interagir com o que estamos construindo aqui”, disse Solange.

Ferreira destacou a dimensão transformadora da Web3. “A complexidade de uma rede como essa não é à toa”, disse. Ele destacou durante sua apresentação o potencial que a tecnologia tem de resolver inúmeros problemas com segurança.

Arantes apresentou a trajetória do uso da blockchain no BNDES, iniciada em 2017 com a ideia de enfrentar o que chamou de “implosão da confiança”. Desde então, o banco passou a explorar a tecnologia não como plataforma de criptoativos, mas como mecanismo de confiança institucional. “O BNDES entrou na blockchain não para operar com Bitcoin ou criptoativos, mas para explorar a transparência e a confiança como atributos essenciais para o setor público”, declarou ele.

Rede Blockchain Brasil
Esse movimento resultou na criação da Rede Blockchain Brasil (RBB), uma infraestrutura descentralizada que reúne órgãos públicos, instituições privadas e parceiros acadêmicos. “A RBB não tem dono. Ela integra diferentes poderes e níveis federativos, além de contar com universidades e empresas. É uma rede do Brasil, construída para reduzir custos de inovação e oferecer soluções de interesse público”, afirmou Arantes.

Entre os casos de uso em desenvolvimento, estão projetos de identidade digital descentralizada, rastreabilidade de gastos públicos, contratação pública, emissão de diplomas e integridade de dados críticos. Cada aplicação reforça a vocação da RBB como base tecnológica voltada à transparência e à inovação social.

Blockchain na prática
A oficina também mostrou, de forma prática, como funcionam os diferentes tipos de nós da rede. O destaque foi o nó observador, que atua como auditor. Ele copia a base de dados da blockchain para a máquina local e permite verificar, de forma independente, cada bloco e transação, sem alterar registros originais. Essa possibilidade amplia a transparência, já que qualquer interessado, inclusive da sociedade civil, pode acompanhar em tempo real a execução de contratos inteligentes e movimentações na rede.

Os participantes da Semana de Inovação 2025 conheceram ainda exploradores de blocos como o Chainlens e o Blockscout, que oferecem interfaces gráficas para visualização das transações. Embora a instalação de um nó observador demande tempo e alto volume de dados, sua configuração permite acompanhar milhões de blocos e reforçar a auditabilidade da rede. Diferente de blockchains internacionais, a RBB segue a legislação brasileira e exige identificação dos responsáveis por cada transação, conciliando rastreamento, segurança jurídica e transparência, atributos centrais para o setor público.

Ao final, os participantes destacaram o caráter prático da oficina. Para Bruno Cavalcante, servidor do IBGE em Minas Gerais, a atividade trouxe contribuições diretas para sua rotina. “Achei muito elucidativa e me deu diversos insights para aplicar na gestão dos bens móveis do IBGE”, disse. Segundo ele, a blockchain pode tornar mais confiável o registro de circulação de equipamentos como smartphones e tablets, oferecendo maior rastreabilidade e controle.

Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.

O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.

O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.