Experiências latino-americanas apontam caminhos para políticas públicas mais inclusivas
Evento promoveu diálogo sobre como a tecnologia pode ser uma ferramenta para unir comunidades, governos e redes internacionais, inspirando abordagens mais eficazes e sustentáveis
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No segundo dia da Semana de Inovação 2025, realizado nesta quarta-feira (01/10), na sede da Enap, em Brasília, especialistas da América Latina debateram como a inovação cidadã pode fortalecer políticas públicas mais próximas das necessidades locais. O painel “América Latina Inovadora – Experiência InovaGov” apresentou relatos de representantes de laboratórios, metodologias participativas e práticas de escuta ativa. Os palestrantes trouxeram dados de soluções colaborativas entre governos e comunidades e como elas têm potencial para gerar impacto concreto nos territórios.
Na abertura, o chefe da divisão de Inovação Pública e Cidadã da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), Pablo Pascale, destacou que, embora muito se fale em tecnologia, inteligência artificial e metodologias de inovação, a dimensão cidadã vai além do aspecto técnico. “Na América Latina, há formas de inovar que realmente transformam, saindo do teatro da inovação e entrando em ações concretas que impactam a sociedade”, afirmou ele. Pascale lembrou ainda que experiências disruptivas surgem com frequência na região, citando cidades como Recife, Montevidéu e Maldonado.
Durante o debate, houve destaque para a importância das alianças internacionais. Para a coordenadora da Rede InovaGov, Naiara Pontes, essas parcerias evitam que cada país precise “reinventar a roda”, ampliam o acesso a recursos e garantem a continuidade dos projetos, mesmo diante de mudanças de gestão. Ela citou como exemplo os laboratórios de inovação cidadã implementados em comunidades afetadas por conflitos na Guatemala e na Colômbia, que se tornaram referências para contextos similares em outros países.
O diretor de projetos e inovação do Centro Latino-americano de Administração para o Desenvolvimento (CLAD), Patricio Lloret, trouxe casos de replicação de metodologias na região. "A maratona de laboratórios que começou no Brasil agora está sendo aplicada no Peru, adaptando a metodologia ao contexto local. Isso demonstra que podemos ensinar e aprender simultaneamente, sem fazer ‘copy-paste’, mas respeitando nossas realidades", disse ele.
Naiara acrescentou que a força das redes de inovação depende do engajamento contínuo de participantes e gestores. Para ela, é essencial que essas redes sejam práticas, pequenas e voltadas à geração de valor real, além de apostar em estratégias de comunicação que aproximem a sociedade dos resultados alcançados. "Devemos mostrar impactos concretos, e não apenas metodologias sofisticadas", afirmou.
Ao final, os palestrantes reforçaram que a inovação cidadã deve ser inclusiva, conectada aos problemas locais e aberta a diferentes pontos de vista. Eles destacaram que a experiência latino-americana mostrou que a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para unir comunidades, governos e redes internacionais, inspirando políticas públicas mais eficazes e sustentáveis.
Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.
O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.
O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.