Reflorestamento do imaginário propõe novas formas de pensar inovação e sustentabilidade
Ativista indígena destacou como diversidade cultural e epistemológica podem inspirar inovação e sustentabilidade
Compartilhe:
A psicóloga, escritora e ativista indígena Geni Nuñez ministrou nesta terça-feira (30/09) a palestra "Reflorestamento do Imaginário" como parte da programação da Semana de Inovação 2025. Em sua apresentação, convidou o público a refletir sobre como os povos indígenas podem inspirar novas formas de pensar inovação e sustentabilidade. Ela salientou a importância da diversidade cultural na construção de futuros coletivos.
Geni abordou o conceito de monoculturas do pensamento, que descreve sistemas de dominação voltados a uniformizar modos de existir, de se relacionar e de imaginar. Segundo Geni, esse processo ultrapassa o território físico e alcança dimensões cognitivas, subjetivas e espirituais. “A invasão não foi apenas da terra, mas também da forma de pensar e de se relacionar”, disse ela.
O “reflorestamento do imaginário”, conceito central da palestra, foi apresentado como uma estratégia de valorização e resgate da pluralidade cultural e epistemológica. Para Geni, trata-se menos de criar algo inédito e mais de reorganizar e reconhecer formas de existência já presentes. “O reflorestamento do imaginário não é uma ideia que precisa ser inédita. Não precisamos criar algo completamente do nada, mas envolver-nos de outra forma, nos aproximar de outro jeito naquilo que já existe, aqui e agora, e que até então não percebíamos”, afirmou a ativista.
A reflexão feita durante a apresentação foi contextualizada a partir das experiências do povo Guarani, com destaque para a relação entre a recuperação da terra e a reconstrução do imaginário coletivo. “Ao mesmo tempo que o reflorestamento da terra acontecia, aprendíamos mais sobre nosso imaginário. A alegria se manifesta como um potencial que desobedece à profecia de um caminho único e catastrófico”, declarou Geni.
A palestrante também compartilhou sua trajetória como acadêmica indígena, ressaltando o papel das primeiras gerações de estudantes e pesquisadores indígenas na transformação dos espaços universitários. “Faço parte de uma das primeiras gerações de acadêmicos indígenas. Entramos nas universidades não apenas para estudar, mas para propor perspectivas próprias e demonstrar que povos indígenas são sujeitos ativos na produção de conhecimento”, disse.
A atividade trouxe um diálogo sobre a relevância de incluir perspectivas indígenas nos debates sobre inovação, políticas públicas e sustentabilidade. Integrando a programação oficial da Semana de Inovação, que neste ano se conecta às preparações do Brasil para a COP30, em Belém, a palestra reforçou que diversidade cultural, epistemológica e ambiental são elementos estratégicos para a construção de soluções coletivas e duradouras.
Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.
O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o TikTok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.
O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.