Inovação cidadã ganha força na América Latina a partir da cultura e de saberes tradicionais
Experiências em Cuba, Guatemala, México e Colômbia mostram protagonismo comunitário e valorização de conhecimentos locais
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Representantes de diferentes países da América Latina apresentaram, nesta quarta-feira (01/10), durante a Semana de Inovação 2025, experiências que mostram como a inovação cidadã pode nascer da tradição. O painel “Territórios que Inovam: Saberes e Práticas das Comunidades Latino-Americanas” reuniu iniciativas que transformam territórios por meio do protagonismo comunitário e da valorização de conhecimentos locais.
O encontro reuniu fontes de diferentes países. Participaram Pablo Pascale (Uruguai), Mariana Romiti (Argentina), Yalet Torres-Diez (Cuba), Hugo Allan García (Guatemala) e Catherine Arboleda (Colômbia). Eles compartilharam práticas de laboratórios de inovação e reforçaram a importância do protagonismo comunitário no fortalecimento da inovação social na América Latina.
Na abertura, Pascale, que é chefe da Divisão de Inovação Pública e Cidadã da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), lembrou que copiar modelos externos nem sempre gera bons resultados. “O que funciona em um lugar, nem sempre funciona em outro. Durante anos, muitas instituições públicas importaram modelos de inovação que funcionavam em outros contextos, mas ao aplicá-los em territórios locais, nem sempre funcionavam bem. Isso desgasta a relação entre Estado e comunidade e mina a confiança nas instituições”, afirmou ele.
Mariana reforçou que a inovação precisa estar enraizada no contexto cultural de cada território. "Trabalhamos com laboratórios em 17 países, desenvolvendo mais de 200 soluções, sempre observando que os mecanismos de inovação, como experimentação, colaboração, escuta ativa e empatia, precisam dialogar com os fatores culturais, institucionais e relacionais de cada território", afirmou ela.
A partir da realidade da Guatemala, García contou que os primeiros laboratórios foram direcionados a mulheres indígenas do departamento de Guadalupe Llanco, região onde mais de 65% da população é indígena e se comunica em dez idiomas diferentes. “Nosso desafio foi adaptar a metodologia para atender mulheres com necessidades sociais específicas, fortalecendo sua participação e impacto nas políticas públicas”, explicou o pesquisador.
Com base em suas experiências em Medellín, Catherine apresentou uma experiência voltada ao meio urbano. Segundo ela, o laboratório local envolveu mulheres e jovens de organizações sociais no uso de dados e informações para ampliar a incidência de suas demandas, fortalecendo o protagonismo comunitário em políticas de participação cidadã.
Já sobre Cuba, Yalet relatou a atuação da União Informática de Las Tunas. "Habilitamos cinco laboratórios cidadãos, focando em mecanismos que reduzem a brecha digital e permitem que mulheres empreendedoras da comunidade capitalizem seus trabalhos artesanais, sem perder a essência de sua cultura e patrimônio material", declarou ela.
Ao final, a atividade trabalhou o debate em torno da ideia de que a inovação territorial não é apenas tecnológica, mas também social e metodológica. Ela envolve escuta ativa, valorização de saberes locais e construção colaborativa. É a partir desse protagonismo comunitário que as soluções ganham legitimidade, efetividade e impacto real na vida das pessoas.
Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.
O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.
O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.