Enap e Instituto Trajetórias fecham acordo para fomentar formação de servidores públicos do Executivo Federal no exterior
Acordo de cooperação técnica busca incentivar funcionários efetivos e estáveis a realizar mestrado pleno em universidades de excelência
Compartilhe:
A Enap promoveu na tarde desta quinta-feira (27/11), em sua sede, em Brasília, solenidade para assinatura de Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto Trajetórias. O acordo entre a Enap e o Instituto Trajetórias prevê a internacionalização da capacitação da força de trabalho da administração pública federal, com o incentivo à realização de mestrado pleno em universidades de excelência, direcionada a servidores públicos federais efetivos e estáveis.
As duas entidades atuarão conjuntamente também na prospecção conjunta de parceiros internacionais, para eventual celebração de acordos de cooperação acadêmica internacional voltados à pós-graduação da escola e a realização de eventos internacionais conjuntos voltados à internacionalização dos programas da Enap (seminários, oficinas ou missões técnicas).
A cerimônia teve a presença da presidenta da Enap, Betânia Lemos, da diretora-presidente do Instituto Trajetórias, Leany Lemos, do diretor de altos estudos da Enap, Alexandre Gomide, e outros membros da diretoria. Betânia destacou que a parceria nasce com propósito, com visão de futuro e com o compromisso de transformar realidades por meio do conhecimento.
“A Enap e o Instituto Trajetórias compartilham uma crença poderosa: a de que o conhecimento é um caminho de transformação. Quando esse conhecimento conecta-se à prática e se traduz em políticas públicas, ele vira potência para a mudança social. Estamos falando de ampliar horizontes, de formar lideranças, de renovar o serviço público brasileiro a partir de experiências vividas e aprendizados internacionais”, disse Betânia.
A Enap e o Instituto Trajetórias estabelecem como base desse acordo princípios de equidade racial e de gênero. “Acreditamos que além de ampliar oportunidades, é preciso garantir que essas oportunidades sejam acessíveis a todas e todos. Isso é inegociável. Nessa parceria, temos o compromisso de equidade, inclusão e diversidade de gênero e raça”, afirmou a presidenta da Enap.
“Esse compromisso é fundamental porque, ao formar mais mulheres, mais pessoas negras, mais pessoas diversas, estamos preparando mais pessoas para assumir cargos de liderança e, portanto, para corrigir um viés histórico na administração pública, principalmente após a publicação da nova lei de cotas no serviço público e do decreto de diversidade, que ampliou a reserva de 30% dos cargos para pessoas negras, indígenas, quilombolas na administração pública”, declarou Betânia.
“Nossa missão é alavancar o número de brasileiros estudando no exterior, fazendo seus mestrados em universidades de excelência, e voltado para o Brasil para gerar impacto. Com a Enap, fazemos um acordo que é para o setor público. Sabemos que estudar fora do país é difícil porque é difícil financiar”, declarou Leany. “Parte significativa desse programa de distribuição de bolsas que temos construído ganha força a partir da visão de pessoas que, como a Betânia, compreenderam que, plantar essa semente permitirá que tenhamos, em poucos anos, uma mudança no perfil do servidor público e de suas lideranças. Mais conectadas globalmente e mais abertas a dar e receber contribuições”, acrescentou a presidenta da Escola.
As universidades de excelência descritas no acordo são definidas como aquelas cujos cursos ou programas estejam indicados como os primeiros cem colocados nos rankings internacionais QS Top Universities e Times Higher Education. O acordo determina ainda que a escola e o Instituto Trajetórias executarão ações conjuntas de disseminação do conhecimento, visando à internacionalização dos programas de pós-graduação stricto sensu da Enap.
Mestrado e impactos
O plano de trabalho da cooperação entre a Enap e o Instituto Trajetórias destaca literatura que aponta os benefícios do mestrado em relação à renda e oportunidades de trabalho. O documento cita trabalho publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que aborda como o Brasil está aquém na formação de mestres. Segundo o relatório Education at a Glance 2025, da OCDE, somente 1% da população entre 25-34 anos tem o título de mestre no Brasil, contra uma média OCDE de 16%.
Estudo do Instituto Trajetórias, com dados da Unesco, mostra igualmente a baixa mobilidade internacional de brasileiros se comparado tanto a países emergentes quanto a países desenvolvidos. O Brasil tem 30 mil estudantes de mestrado e doutorado no exterior, quando o potencial, por PIB e população, seria de 52 mil. Segundo o levantamento, somente para os Estados Unidos, e controlando pela população universitária, a China manda seis vezes mais alunos do que o Brasil, Colômbia quatro vezes mais, Chile e México duas vezes mais.
Os benefícios em relação à internacionalização estão vinculados a mais inovação, inserção em redes de pesquisa e conhecimento de ponta e trocas interculturais. Em relação aos servidores públicos, a iniciativa é inédita. Dessa forma, o acordo entre a Enap e o Instituto Trajetórias busca preencher essa lacuna, ao permitir a alta especialização e formação dos servidores públicos em universidades e programas de excelência, com diretrizes alinhadas ao planejamento central.
Além de beneficiar diretamente servidores públicos federais, a cooperação também tem por finalidade fortalecer a inserção internacional da Enap e ampliar redes de cooperação acadêmica, pesquisa aplicada e formação conjunta com universidades estrangeiras de excelência.