Pesquisadores apresentam experiências indianas de infraestrutura pública digital e seu potencial de aplicação no Brasil
Palestrantes destacam a importância de treinar modelos de IA com dados locais, sob risco de gerar soluções imprecisas ou excludentes
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A transformação digital no serviço público ganhou novos contornos no workshop “Moldando Nosso Futuro Digital por meio da Cooperação Índia-Brasil”, realizado nesta quinta-feira (02/10), durante a Semana de Inovação 2025. Os pesquisadores Sunu Engineer e Harshit Kacholia apresentaram a experiência da Índia na construção da Infraestrutura Pública Digital (DPI) e debateram como esse modelo pode inspirar soluções de soberania para o Brasil.
Kacholia destacou o papel crescente da inteligência artificial, em especial o modelo generativo, na modernização dos serviços públicos. Segundo ele, a tecnologia já amplia a produtividade e permite experiências personalizadas ao cidadão. Ele alerta, entretanto, que seu avanço depende do uso responsável de dados pessoais. Como exemplo, Kacholia citou o account aggregator, sistema indiano que organiza o consentimento de dados de maneira transparente e controlada.
“Em um caso de uso de inferência, o cidadão fornece seus dados pessoais para acessar um serviço. O banco não deve usar essas informações para outros fins nem coletar mais do que o necessário. Deve haver a possibilidade de revogação, garantindo que os dados sejam excluídos após o uso”, explicou ele.
O pesquisador indiano também ressaltou a importância de treinar modelos de IA com dados locais, sob risco de gerar soluções imprecisas ou excludentes. “O problema é que muitos modelos atuais foram desenvolvidos com bases ocidentais. Em áreas como a saúde, é fundamental utilizar dados regionais para que os resultados sejam confiáveis e inclusivos”, afirmou ele.
Ao apresentar os princípios do DPI, Kacholia reforçou pilares aplicáveis ao contexto brasileiro: a prioridade à privacidade do cidadão, a interoperabilidade entre sistemas e, sobretudo, o protocolo tecno-jurídico, no qual tecnologia e política pública caminham juntas, com regras incorporadas diretamente no código das soluções digitais.
O debate também explorou diferentes modelos de interação digital, como contratos bilaterais com grandes empresas, intermediários centralizados e protocolos descentralizados. Para os palestrantes, este último modelo é o que oferece soluções mais inclusivas, seguras e transparentes, evitando concentração de poder e permitindo a participação de múltiplos atores.
Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.
O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.
O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.