Enap promove palestra sobre desafios e caminhos de mulheres em posições de liderança com especialista francesa para futuras servidoras públicas
Filósofa Gisèle Szczyglak conversou com as candidatas que estão cursando as Formações Iniciais de Carreira sobre mitos e transformações na liderança feminina
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Como parte da programação especial do Mês da Mulher, a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) promoveu a palestra “Ser Mulher em Posição de Liderança: Mitos e Verdades”, ministrada pela filósofa francesa Gisèle Szczyglak.
A palestra, exclusiva às candidatas matriculadas no Curso de Formação Inicial de Carreiras, no âmbito da segunda chamada do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 1), foi realizada na terça-feira (3), no auditório da Escola, em Brasília (DF).
Gisèle Szczyglak, Ph.D. em Filosofia Política e pós-doutora em sociologia política e ética aplicada, tem uma trajetória dedicada ao estudo da liderança e à atuação em redes profissionais de mulheres, participando de conferências internacionais voltadas ao desenvolvimento profissional feminino e seu impacto na sociedade e na economia.
Durante a palestra, a filósofa refletiu sobre as origens culturais e históricas do papel das mulheres e homens e como esses conceitos foram construídos ao longo do tempo. Segundo ela, ainda existe uma associação histórica entre liderança e masculinidade, o que gera obstáculos adicionais para mulheres que ocupam posições de destaque.
“A primeira coisa a compreender: por que alcançar posições de liderança é tão difícil para as mulheres em suas carreiras? A liderança sempre foi associada ao masculino, os homens sempre foram valorizados na construção da história e as mulheres foram invisibilizadas”, afirmou.
Para Gisèle, esse processo tem raízes profundas nas estruturas sociais e culturais. “Algo que sempre me marcou, quer eu esteja na Europa ou em qualquer outro continente, é que existe uma condição universal ligada às mulheres, e essa condição está ligada a uma desvalorização sociológica e cultural do feminino”, explicou.
A filósofa também destacou que a liderança não deve ser compreendida como um atributo ligado ao gênero, mas como uma dinâmica interior que se manifesta na ação. “A liderança é um movimento, uma dinâmica que parte do nosso interior e que se concretiza fora de nós. Portanto, a liderança não tem gênero”, disse.
Ao conversar diretamente com as participantes do curso, Gisèle Szczyglak ressaltou a importância da presença de mulheres na construção do futuro das sociedades. “E nós, mulheres, temos a necessidade de mudar o mundo e de tomar parte.”.
Segundo ela, a baixa escuta das vozes femininas ainda representa um desafio persistente nas estruturas sociais. “É uma ferida civilizacional, eu chamo isso assim, porque nossas vozes, de mulheres, não são entendidas. Vocês veem isso no mundo?”, questionou. “São os homens que decidem; ainda é entre eles que se define o que será dito sobre a civilização e a sociedade.”
A diretora de Educação Executiva da Enap, Iara Alves, destacou a relevância do debate dentro de uma escola dedicada à formação de agentes públicos. Para ela, iniciativas como essa ampliam a reflexão sobre liderança e responsabilidade no serviço público. “Em uma escola de formação de servidoras e servidores, nossa responsabilidade é ainda maior porque representamos pessoas que não podem estar aqui.”
A atividade integrou a programação institucional da Enap em celebração ao Mês da Mulher, que busca promover debates e reflexões sobre equidade, liderança e participação de mulheres nos espaços de decisão, especialmente no contexto da formação de futuras servidoras públicas.