Análise de dados socioeconômicos e territoriais orienta políticas públicas e projetos de intervenção social
Encontro na Semana de Inovação Enap 2025 reuniu gestores e participantes para debater inovação, participação social e territorialidade na gestão pública
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O uso da análise de dados socioeconômicos e territoriais para orientar políticas públicas e projetos de intervenção social foi tema da oficina “Leitura técnico-comunitária da realidade e construção de visão de futuro coletiva”. O evento, conduzido por Cássia Rodrigues, Franciele Gazola, Elaine Hiath, Lucas Puime e Thiago Dias, foi parte da programação do primeiro dia da Semana de Inovação 2025, realizada pela Enap, em Brasília. O tema teve como focos a inovação, a participação comunitária e a territorialidade.
Cássia, Franciele e Elaine explicaram aos participantes da oficina como realizar uma leitura técnico-comunitária. Em seguida, conduziram um desafio prático, no qual os presentes analisaram um estudo de caso hipotético envolvendo 29 famílias e 111 pessoas. A atividade permitiu identificar quais informações já estavam disponíveis e quais ainda precisariam ser levantadas em campo, incluindo dados sobre renda, situação de trabalho, escolaridade, condições de saúde, vulnerabilidades sociais, gênero e faixa etária.
Durante a dinâmica, os participantes foram estimulados a notar a importância do detalhamento das informações. Embora houvesse dados gerais sobre o território e as famílias, faltavam informações essenciais sobre criminalidade, violência doméstica, ocupação do solo, saneamento, infraestrutura, demandas culturais e produtivas, além de dados qualitativos sobre percepção de segurança e experiências da comunidade.
Esse exercício com a participação coletiva evidenciou a necessidade da coleta de dados, tanto quantitativos quanto qualitativos, incluindo estatísticas oficiais, observações de campo e percepções de moradores, para orientar políticas públicas e ações sociais de forma mais precisa.
Também foram explorados contextos territoriais, incluindo histórico de ocupação, infraestrutura urbana, riscos de criminalidade e presença de grupos tradicionais. Protocolos de atuação em cenários de risco, como os aplicados no Rio de Janeiro e em outras capitais, foram apresentados para mostrar como projetos sociais podem ser implementados de forma segura, mesmo em áreas vulneráveis.
Os palestrantes destacaram a necessidade de planejar ações em curto, médio e longo prazos e apresentaram exemplos. No curto prazo, falaram sobre como intervenções simples, como ocupação de terrenos vagos com atividades comunitárias, podem gerar sensação de segurança e engajamento. No médio prazo, explicaram como associações locais podem ser formalizadas para consolidar projetos culturais e sociais. Já no longo prazo, políticas estruturais, como recursos garantidos para hortas comunitárias ou construção de equipamentos culturais, podem atender de forma sustentável às necessidades da comunidade.
A oficina enfatizou ainda a importância do protagonismo das famílias. Os palestrantes reforçaram que o sucesso das políticas públicas depende do diálogo constante entre gestores, comunidade e parceiros locais, garantindo que as ações sejam percebidas como impacto real.
Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.
O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.
O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.