Comunicador indígena destaca papel das narrativas na desconstrução de estereótipos
Palestra discutiu apagamento histórico, diversidade cultural e a construção de políticas públicas inclusivas
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O comunicador indígena José Kaeté defendeu o protagonismo dos povos originários e o reconhecimento do legado cultural da Amazônia. Ele realizou palestra durante o primeiro dia da Semana de Inovação 2025. Em “Narrativas Originárias: o que muda quando os povos indígenas contam suas próprias histórias?”, Kaeté abordou o papel das narrativas na desconstrução de estereótipos e no fortalecimento da presença indígena como agente de transformação social e política.
Kaeté ressaltou a complexidade da população indígena no Brasil, destacando que, apenas na Amazônia, vivem cerca de 150 povos que falam entre cinco e seis mil línguas, organizados em 114 grupos identificados, cada qual com estruturas próprias de vida social, cultural e religiosa. “Cada povo tem a sua forma de pensar, sua cultura, sua religião”, afirmou ele, lembrando que os nomes oficiais muitas vezes não correspondem à autodefinição dos grupos.
O palestrante também chamou atenção para o apagamento histórico imposto aos povos indígenas por políticas coloniais e nacionais que buscaram silenciar línguas, culturas e narrativas. “Nossa história não começa em 1500, com o descobrimento”, ressaltou Kaeté, ao lembrar que a formação do Brasil foi marcada por conflitos, genocídios e mais de cinco séculos de resistência. Ainda assim, destacou que o legado indígena continua vivo, influenciando práticas sociais na Amazônia e em todo o país.
Ao criticar a forma como a Amazônia é representada externamente, muitas vezes reduzida a estereótipos e imagens exóticas, Kaeté defendeu a necessidade de narrativas construídas a partir da própria experiência indígena, que reconheçam os povos como protagonistas e comunicadores de sua própria história.
O comunicador também abordou os desafios contemporâneos, como a presença crescente de populações indígenas em centros urbanos e a urgência de políticas públicas que respeitem a diversidade linguística e cultural. “Antigamente, o Brasil proibiu que se falasse qualquer língua que não fosse o português, tanto para silenciar povos indígenas como também imigrantes”, lembrou ele, que apontou a importância da valorização do multilinguismo no país.
A palestra integrou a programação da Semana de Inovação 2025, que este ano está conectada às preparações do Brasil para a COP30, em Belém (PA). O encontro reforçou que inovação e políticas públicas só se tornam efetivas quando incorporam diversidade cultural, justiça histórica e protagonismo indígena como elementos estratégicos para o futuro do país.
Sobre a SI 2025
A Semana de Inovação 2025 é realizada pela Enap em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta edição, inclui a parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério da Saúde.
O patrocínio master é da Caixa Econômica Federal. Também são patrocinadores a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), a Itaipu Binacional, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), o Tik Tok, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o Banco do Nordeste do Brasil, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Brasil.
O evento conta com apoio da Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) e da Fundação Dom Cabral.